Classificação
O Decreto-Lei n.º 557/76, de 16 de julho – entretanto revogado pelo Decreto Regulamentar n.º 50/97, de 20 de novembro – classificou o maciço da Estrela como Parque Natural, referindo tratar-se de “uma região de característica economia de montanha” onde subsistem “refúgios de vida selvagem e formações vegetais endémicas de importância nacional” (Fauna e flora).
Acrescente-se que à classificação não foi alheio o valor paisagístico do conjunto, “uma personalidade” no dizer de Torga, nem as ameaças em termos de ocupação do espaço.
Caracterízação
No Parque Natural da Serra da Estrela, acidente orográfico que em conjunto com as serras do Açor e da Lousã forma o extremo ocidental da Cordilheira Central, podem distinguir-se cinco principais unidades paisagísticas:
- o planalto central;
- os picos e algumas cristas que se estendem a partir destes;
- os planaltos a menor altitude;
- as encostas; e
- os vales percorridos por linhas de água.
Aqui, encontra-se o ponto mais alto de Portugal continental e parte importante de três bacias hidrográficas (Douro, Tejo e Mondego). A paisagem superior da serra, por ter sofrido uma forte influência da glaciação quaternária, possui uma morfologia peculiar.
Este parque natural apresenta um variado mosaico de habitats, conjugando elementos representativos de diversas regiões biogeográficas. Como seria de esperar, é a área mais emblemática de Portugal continental para valores naturais associados à altitude, muito deles com caráter exclusivo. Merecem especial referência os cervunais (6230), habitat prioritário constituído por arrelvados de cervum (Nardus stricta), onde ocorre uma importante flora endémica – ex. a gramínea (Festuca henriquesii), a composta (Leontodon pyrenaicus subsp. herminicus) e o ranúnculo-dos-brejos (Ranunculus abnormis) – ou rara – ex. a erva-de-cetim (Alchemilla transiens) e a argençana (Gentiana lutea) -, os zimbrais-anões (Zuniperus communis) (4060), comunidade arbustiva exclusiva da serra da Estrela com uma pequena área de ocupação acima dos 1700 m de altitude, e as charcas e lagoas permanentes orotemperadas (3130), igualmente exclusivas, onde se pode observar uma flora de distribuição restrita, caso da espadana-da-estrela (Sparganium angustifolium), uma relíquia glaciar.
Info: ICNF
Visite: https://www.icnf.pt/conservacao/rnapareasprotegidas/parquesnaturais/pnserradaestrela